quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

MUDANÇAS


 Só Deus é imutável! Esta afirmação significa que tudo o mais existe numa contínua mudança: nós mudamos, a sociedade, a natureza, o universo, tudo muda.
Na sociedade há, essencialmente, três tipos de mudança: a)mudanças externas e periféricas, necessárias a fim de preservar o espírito existente na sociedade e dar-lhe uma nova dinâmica: b)mudanças negativas, quando suscitam a degradação, a licenciosidade, a miséria moral e material, enfim, quando deixam tudo ou quase tudo num estado pior do que o anterior; c)mudanças positivas, quando provocam um verdadeiro progresso no sentido da ordem, da disciplina, da dignidade, do temor e da obediência a Deus.
Atualmente fala-se muito no nosso meio Evangélico na necessidade da mudança. Não me refiro à conversão dos pecadores com a sua consequente mudança de vida e de pensar, ênfase que foi sempre característica do ensino Evangélico, refiro-me ao desejo que há em muitos de ver uma mudança nas igrejas. Obviamente que devido ao facto da mudança ser algo inerente à condição das criaturas neste mundo, as igrejas, com os seus cultos ou formas externas de adoração e os seus meios de ação, têm igualmente de mudar com o tempo e com a evolução da sociedade.
A Igreja tem, porém, de analisar e ponderar com muita seriedade espiritual qual o tipo de mudança que está a processar-se à sua volta na sociedade, a fim de concluir se deve alinhar com tal mudança ou, pelo contrário, enveredar por outro caminho, por outro tipo de mudança. Enquanto os crentes forem guiados pelo Espírito Santo, a Igreja nunca poderá envolver-se numa mudança negativa só porque a sociedade onde se encontra enveredou por tal caminho.
Nos nossos dias, talvez mais do que nunca, os verdadeiros crentes não devem esquecer a exortação apostólica: “e não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento…” (Rom. 12:2)

Pastor Celestino Torres de Oliveira

CAUSAS DA DECADÊNCIA


Temos constatado com pesar que o nível espiritual do nosso meio Evangélico tem-se degradado acentuadamente nos últimos anos. Cada vez os crentes têm menos conhecimentos bíblicos e, como consequência, possuem convicções muito frágeis e insuficientes para enfrentarem o grande embate dos nossos dias, que é moral e ideológico.
Se procurarmos descobrir as causas desta situação encontraremos várias pistas para estudo e meditação. No entanto, a maioria dessas pistas possui uma raiz comum: o tipo de culto que hoje tem lugar num grande número de igrejas Evangélicas, nomeadamente nas chamadas “novas igrejas”, quase todas de cariz mais ou menos carismático.
1.Os hinos tradicionais foram “saneados” dos cultos e em seu lugar vieram os “corinhos” para preencherem momentos ditos de louvor e adoração (como se todo o culto não fosse louvor e adoração!). Obviamente que os coros têm o seu lugar nas igrejas (desde que a letra seja biblicamente correta e a música inspiradora), mas não há “corinho” algum que substitua o papel desempenhado pelos hinos num culto que se quer não só alegre, mas também solene e reverente, com sólido conteúdo espiritual e doutrinário. É que o hino tem uma mensagem com princípio, meio e fim, e a própria música que o integra terá de ser mais profunda e “completa” do que a simples melodia dum “corinho” repetida por vezes até à exaustão. Como se isto não bastasse, os “corinhos” são quase sempre projetados nalgum ecrã ou parede, deixando os míopes e as pessoas de idade incapazes de participarem no louvor, a menos que conheçam a letra.
2.Outra causa de degradação espiritual é o facto de nalgumas igrejas ser cada vez menor o tempo dedicado à pregação do Evangelho e ao estudo bíblico. Parece que o que se pretende é apenas “cantar e folgar” sem grandes reflexões, sem aprofundar seriamente as razões da nossa fé e do nosso louvor.
3.O tempo de oração, por sua vez, raramente é um momento de paz e de elevada adoração unindo toda a congregação num só sentimento, num só espírito e numa só voz nas ações de graças e na intercessão. O tempo ideal para com ordem e, muitas vezes, em silêncio refletir e adorar. Porém, quantas vezes tais períodos são tumultuosos e impeditivos de qualquer concentração espiritual.

Pastor Celestino Torres de Oliveira

A INVERSÃO DE VALORES


“Ai dos que ao mal chamam bem e ao bem mal; que fazem da escuridão luz e da luz escuridão; e fazem do amargo doce e do doce amargo” (Isaías 5:20).
Assistimos nos nossos dias a uma verdadeira inversão de valores. Aquilo que Deus revela na Sua Palavra ser um bem para o homem é considerado um mal, um tabu, um preconceito ultrapassado que restringe a liberdade do ser humano, inibindo-o e não permitindo o pleno desenvolvimento de todas as suas capacidades e aptidões (entenda-se a total satisfação da concupiscência carnal).
As forças sociais que, segundo os padrões éticos ensinados na Bíblia, suscitam a degradação e a corrupção da sociedade são vistas pela maioria com bons olhos, chegando mesmo a ser apelidadas forças do progresso e da evolução.
Sabemos que a sociedade tem de mudar, pois embora nada haja que seja verdadeiramente novo, tudo é mutável debaixo do sol; mas essa mudança deverá realizar-se respeitando conceitos e leis imutáveis por serem a revelação e a legislação de um Deus Eterno.
No entanto, o problema maior e mais grave surge quando é no próprio seio da igreja local que se dá tal inversão de valores. Quando os crentes, na sua vida privada, familiar e social agem em conformidade com os padrões do mundo e não segundo o ensino bíblico, tendo um comportamento ético que Deus reprova. Quando a reverência, a solenidade, a ordem e a decência no culto cedem o seu lugar à irreverência, ao ritmo frenético, dando rédea solta à carne para todos os seus desmandos e caprichos.
Tal mudança começa muitas vezes duma forma subtil, para que ninguém dê conta dela, e quando os crentes genuínos se apercebem de que tudo está a mudar já nada, ou muito pouco podem fazer para evitá-la ou invertê-la.
A Bíblia alerta-nos inúmeras vezes para esta realidade, por isso a igreja deve estar prevenida e vigilante.

Pastor Celestino Torres de Oliveira

A CERTEZA DA SALVAÇÃO


A certeza da salvação é consequência da obra que Deus opera em nós pelo Seu Espírito suscitando no nosso coração e na nossa mente uma fé inabalável em Jesus Cristo como nosso único e suficiente Salvador, levando-nos assim a uma entrega total a Ele como Senhor da nossa vida.Deste modo podemos examinar-nos a nós mesmos a fim de verificarmos se na nossa vivência encontramos aquelas características que, à luz da Escritura, acompanham e são sinais desta salvação que vem de Deus.
O reconhecimento do pecado, a consciência profunda da nossa culpa diante de Deus
Um sincero e genuíno arrependimento que nos leva a firmar-nos tão só na fé que há em Jesus Cristo
Uma nova vivência, fruto da regeneração, orientada pelo Espírito de Deus, fazendo-nos caminhar de fé em fé
Uma ação eficaz do Espírito Santo em nós que nos leva a perseverar na doutrina sã e na fé uma vez dada aos santos
Um crescimento na Graça de Cristo e no conhecimento de Deus
A manifestação visível do fruto do Espírito na nossa vida (amor, alegria, paz longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, temperança)
O reconhecimento da soberania de Deus sobre todos os acontecimentos da nossa vida, mesmo nas circunstâncias mais adversas e dolorosas
Uma submissão incondicional e com ações de graças à vontade soberana de Deus
O reconhecimento sincero de que devemos unicamente à Graça Divina, ao amor e misericórdia de Deus, a nossa eterna salvação, dando ao Altíssimo toda a honra e toda a glória.
Sem a manifestação destas características na vida das pessoas não é correto falarmos em salvação.

Pastor Celestino Torres de Oliveira


sábado, 9 de fevereiro de 2013

DIA DO CORO

Querendo Deus, no próximo dia 24 de Fevereiro, às 16 horas o Culto Dominical terá a participação alargada do Coro da Igreja porque celebraremos mais uma vez o Dia do Coro.

RETORNO ÀS ORIGENS



Os Evangélicos vivem uma das épocas mais confusa e decadente da sua história, em virtude dos inúmeros desvios da verdade bíblica que têm surgido nos últimos anos no seu seio. Torna-se, portanto, vital assumirmos a nossa identidade histórica, como Baptistas e como Evangélicos. A nossa fé tem de firmar-se exclusivamente nos ensinos da Palavra de Deus, a Sagrada Escritura. Qualquer movimento do Espírito Santo tem como fundamento a Verdade, tal como a Bíblia no-La revela.
O retorno à Verdade Bíblica, aos ensinos de Jesus Cristo e à simplicidade litúrgica do Novo Testamento foram os alvos prioritários da chamada Reforma Protestante do século XVI.
Foram 4 os princípios fundamentais da Reforma religiosa:
1. A supremacia da Escritura Sagrada sobre a tradição dos homens
2. A supremacia da fé sobre as obras: pois as obras que agradam ao Senhor serão sempre o fruto da verdadeira fé, a qual é obra de Deus no homem.
3. A soberania absoluta da Graça Divina na redenção e justificação dos pecadores
4. O sacerdócio universal ou de todos os crentes em Cristo.
Mas o objectivo último do Protestantismo Evangélico é trazer cada homem a uma responsabilidade pessoal e a uma união vital com Cristo, o único e todo-suficiente Salvador do pecado e da morte eterna, e só Ele o Senhor das nossas vidas.
Os Baptistas, na sua génese, têm as suas raízes doutrinárias e históricas na Reforma Calvinista. Esta influenciou de tal modo a Igreja de Inglaterra que levou à dissidência de muitos que queriam uma igreja mais conforme nos seus ensinos e na sua vivência, com os princípios e ensinos do Novo Testamento. Foram perseguidos e tiveram de se refugiar na Holanda. Foi em Amsterdão que se organizou em 1609 a primeira igreja nos mesmos moldes das igrejas Baptistas da actualidade. Voltando mais tarde à sua pátria, as igrejas Baptistas do Reino Unido reuniram-se em Londres numa grande assembleia, em 1689, tendo redigido então a grande Confissão de Fé Londrina, que ainda hoje é adoptada pelas igrejas Baptistas mais Conservadoras e fiéis à Palavra de Deus.
Esta confissão de fé foi adoptada em 1744 pelos Baptistas dos Estados Unidos e apelidada de Confissão de Fé de Filadélfia.
No século XIX, o grande pregador Baptista Spurgeon reeditou também para a sua igreja em 1855 a Confissão de Fé Londrina de 1689.
Assim, se quisermos manter a nossa identidade temos de firmar-nos na fé uma vez dada aos santos, a qual se alicerça na Bíblia, a Palavra de Deus infalível e inerrante. Nada podemos acrescentar ou omitir à Escritura Sagrada.
A Revelação de Deus é gradual ao longo do Velho Testamento e atinge a plenitude em Jesus Cristo, o próprio Verbo de Deus incarnado, no Qual habita a plenitude da Divindade. Assim, o Novo Testamento é a Revelação máxima e final de Deus aos homens. É a Ela que temos de ouvir e n’Ela permanecer.

Pastor Celestino Torres de Oliveira

VIAS OPOSTAS




A Lei dada a Moisés revelava a sombra dos bens futuros e não a imagem exata das coisas, pois esta imagem perfeita da realidade é Jesus Cristo (Heb.10:1; Col.2:16-17).
Todos os sacrifícios e holocaustos ordenados na Lei só tinham valor diante de Deus porque anunciavam e prefiguravam o Sacrifício redentor do Seu Cordeiro imaculado, o Qual viria ao mundo na plenitude dos tempos para morrer em propiciação pelos nossos pecados na cruz do Calvário.
O próprio sábado era também ele uma sombra, um sinal dado por Deus ao Seu povo para que soubessem que era o Senhor, e só Ele, Quem os santificava (Ezeq.20:12). A realidade é Jesus Cristo, não só o Senhor do sábado, mas também Aquele no Qual entramos pela fé no verdadeiro repouso de Deus. Pois aquele que crê em Jesus Cristo descansa das suas obras, assim como Deus descansou das Suas. Em Cristo sabemos que já não é aquilo que fazemos que conta para a nossa salvação e justificação, mas sim aquilo que Ele fez por nós e para nós (Heb.4:3,10). É pela fé no poder de Deus que ressuscitou a Jesus dentre os mortos que nós somos justificados (Rom.4:20-25) e não pela nossa obediência à Lei.
É em Cristo Jesus que nós guardamos o verdadeiro sábado eterno do Deus vivo, pois este consiste não na guarda de um qualquer dia da semana, mas sim numa vivência diária na Graça de Deus, por meio da fé em Jesus Cristo (Col.2:9-10; Gál.4:9-11).
Como estamos nós a viver a nossa vida?
Debaixo da Lei e consequente maldição proveniente dos nossos pecados (Gál.3:10-11)?
Ou na Graça de Deus revelada em Jesus Cristo, no Qual temos, no Seu sangue, a purificação dos nossos pecados e a nossa eterna redenção?
 
Pastor Celestino Torres de Oliveira

UM PERIGO MAIS…



No seguimento do que escrevemos na semana passada e ainda sobre o perigo das novas traduções da Bíblia em português corrente (segundo o método da equivalência dinâmica), gostaríamos de alertar os crentes para o facto do abandono do vocabulário literalmente mais apropriado para traduzir os textos gregos e hebraicos das Escrituras suscitar um gradual afastamento espiritual das novas gerações em relação às gerações passadas.

A alteração revolucionária da “linguagem cristã” implica infalivelmente uma rotura com o passado, pois em breve as novas gerações de crentes serão incapazes de compreender a linguagem de todos aqueles que os antecederam na fé ao longo dos séculos. Serão incapazes de ler os textos clássicos dos grandes autores Evangélicos dos séculos XVII, XVIII, XIX e XX…

Pior ainda, serão incapazes de compreender a Bíblia na sua versão original, a genuína Palavra inspirada por Deus aos autores sagrados.

Pensamos ser este talvez o maior perigo nas novas traduções da Bíblia, embora não possamos negligenciar e não seja menos grave, só por si, o facto de tais traduções adulterarem por vezes e banalizarem quase sempre o texto sagrado vertendo-o para uma linguagem laica ou profana.

Sem querermos hostilizar ninguém, e muito menos irmãos na fé, não podemos deixar de nos interrogar se, por detrás de tudo isto não estará uma estratégia satânica, preparando os tempos da grande apostasia que antecederão a segunda vinda de Cristo…

O futuro dirá se estamos totalmente errados ou se, infelizmente, temos razão…

Pastor Celestino Torres de Oliveira