segunda-feira, 21 de setembro de 2009

PERPLEXO


Algo que me deixa perplexo é verificar como grande número de pessoas se deixa ainda seduzir e manipular por movimentos e por indivíduos que, usando de forma distorcida o Evangelho e invocando de um modo abusivo e perverso o próprio nome do Senhor Jesus, anunciam antecipadamente milagres e maravilhas como se eles pudessem por meio da “fé” (se é que se pode falar de fé nestas situações de fraude e embuste) ordenar a Deus que aja e opere segundo o querer deles. E as pessoas, no meio da crise financeira em que todos vivemos, e no meio dos problemas difíceis de saúde ou de relacionamento familiar em que se encontram envolvidas, tornam-se um terreno propício para o logro e a impostura.
Sempre houve, e já havia no tempo em que o Senhor Jesus estava entre nós, homens que usavam a religião como capa para a satisfação das suas ambições e desejos, por vezes ignóbeis e sempre contrários à vontade de Deus para a vida humana. Assim, nada há de novo sob o sol. O que nos admira é que a nossa geração, com acesso a tanta informação mediática, ainda se deixe seduzir e manipular por tais movimentos e indivíduos que continuam a usar a Palavra de Deus para a satisfação dos seus apetites materialistas e egolátricos.
O apelo à fé das pessoas, independentemente do objecto dessa fé (pois dizem não importar o “credo” que tenham…) prova que tais movimentos estão fora das Escrituras. Isto porque, segundo a Bíblia, é necessário conhecer a Jesus para crer n’Ele e invocá-Lo com fé (Rm. 10:13-17).
E só uma tal fé, em Jesus Cristo revelado nas Escrituras, salva, justifica e opera maravilhas nos pecadores (quando, como e onde o Senhor quiser e não o homem).

Pastor Celestino Torres de Oliveira

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

A MERCANTILIZAÇÃO DA FÉ


“A Mensagem Baptista” publicou há algum tempo atrás um artigo para o qual eu gostaria de chamar a atenção dos irmãos que lêem este boletim. O seu autor refere-se à situação da Igreja no Brasil, mas é perfeitamente adequado à realidade que vivemos em Portugal. Vamos recordar alguns parágrafos desse texto de Ziel Machado e reflectir na situação das igrejas evangélicas do nosso país:
“Um dos piores inimigos da fé evangélica é o processo de mercantilização da fé com todos os seus derivados…” Referência àqueles que se servem da fé, sobretudo da fé dos outros, para enriquecerem explorando a credulidade e ingenuidade do próximo. Este negócio com a fé não só é um embuste e uma fraude espiritual, mas também desvia a muitos da genuína fé evangélica, criando anti-corpos espirituais contra o verdadeiro Evangelho de Cristo.
“Uma espiritualidade que faz pouco caso da revelação contida nas Escrituras acaba se tornando uma capa religiosa para um sistema que transforma a casa de oração para todos os povos em covil de ladrões! Estamos diante duma realidade na qual as aparências enganam. O que parece frondoso à distância, pode se mostrar enganoso de perto. O templo, que parecia activo em sua função de ser o lugar onde o nome de Deus era invocado, revelou-se uma aberração espiritual e moral… À medida que esta entidade “mercado”, com seus valores e paradigmas aperfeiçoa o seu funcionamento e sofistica a sua capacidade de formar paradigmas, ela estende os seus tentáculos sobre cada esfera da vida humana, inclusive sobre nós, na igreja. O que nos deixa perplexos é a nossa incapacidade de discernir esse processo… Isso nos está levando a um ajuste tão fino com a realidade circundante, que a diferença entre mundo e igreja se torna apenas retórica. O resultado é que estamos trazendo para o “templo” um sistema idolátrico com cara de piedade evangélica. Este é o mal mais terrível, o mal com cara de bem”.
Transcrevemos estes parágrafos relativos à situação das igrejas evangélicas no Brasil porque, como já afirmamos, cremos que esta é a situação igualmente em Portugal. Seria bom reflectirmos profundamente nestas palavras para que pelo menos na nossa igreja local não penetre este espírito profano com capa de “piedade”.

Pastor Celestino Torres de Oliveira

sábado, 5 de setembro de 2009

AÍ ESTÁ ELA!


Vivemos tempos de apostasia, tal como haviam predito os apóstolos e o próprio Senhor Jesus. Uma das razões para a actual apostasia, para além da velha influência do racionalismo e do naturalismo científico provenientes das revoluções sociais e ideológicas, reside no facto de grande parte dos cristãos evangélicos se terem tornado de tal modo “místicos” que já não reverenciam, nem se submetem à Palavra escrita de Deus. Tais evangélicos estão de tal maneira virados para si mesmos e para as suas experiências pessoais, para o que sentem dentro de si, que consideram a doutrina bíblica como algo secundário, ou mesmo sem relevância.
Uma igreja que afirma que a sua fidelidade aos ensinos da Sagrada Escritura não tem grande significado, nem é importante aos olhos de Deus, e que substitui essa fidelidade pelas experiências sobrenaturais dos seus membros, pelos testemunhos públicos dessas experiências, sonhos ou visões, uma tal igreja derrapou espiritualmente e caiu no misticismo.
Ao afastar-se do princípio fundamental que consiste em possuir uma doutrina bíblica correcta, conforme ao ensino dos apóstolos, e vigiar a fim de perseverar nela e pô-la em prática, o meio Evangélico contemporâneo desviou-se da Verdade. E isso é visível não só ao nível do ensino ministrado nos púlpitos (onde ainda existem!), mas também e sobretudo ao nível da vivência particular e colectiva nas igrejas, incluindo as novas formas de culto (ou celebrações) em plena conformação com o mundo. O que se vê e se ouve hoje nos cultos de muitas igrejas seria impossível de acontecer e de explicar sem este desvio dos ensinos e práticas do Novo Testamento.
Pastor Celestino Torres de Oliveira

LIBERDADES INDIVIDUAIS


Os Baptistas sempre foram acérrimos defensores das liberdades individuais, por isso as igrejas locais são autónomas e embora cooperem fraternalmente entre si nenhuma delas está sujeita a outra ou a qualquer organismo central.
Cremos que a salvação é individual, apesar de todos sermos membros de um só Corpo, e constituamos portanto um colectivo. No entanto, cada um é chamado por Deus e atraído a Cristo de um modo muito particular. A Bíblia diz-nos que o Senhor chama a cada uma das Suas ovelhas pelo seu nome e conhece a cada uma delas desde a eternidade, amando-as com um amor eterno.
Por isso defendemos que cada indivíduo seja livre para expressar a sua fé ou incredulidade segundo os ditames da sua consciência. Mas o exercício duma tal liberdade pressupõe responsabilidade, honestidade e seriedade. A liberdade sem responsabilidade faz-nos cair na libertinagem e no caos anárquico. A liberdade sem honestidade é uma porta aberta à fraude, ao embuste e à propagação da mentira. A liberdade sem seriedade é leviandade e pode fazer-nos cair na barbárie.
Por isso, ao mesmo tempo que defendemos as liberdades individuais afirmamos ser a Bíblia a nossa única regra de fé e de acção. O homem só é plenamente livre quando libertado por Cristo vive em conformidade com a vontade de Deus.
No entanto, esta plena liberdade, fruto da nossa fé em Cristo, é uma dádiva de Deus e ninguém pode constranger seja quem for a crer em Jesus Cristo.
A nossa missão e responsabilidade é testemunharmos do Senhor na fidelidade a todo o ensino das Escrituras, sabendo que a obra de conversão e libertação dos pecadores só o Altíssimo, pelo Seu Espírito, a pode realizar.

Pastor Celestino Torres de Oliveira

REFLEXÕES ÉTICAS


A) Ao nível dos crentes
Os crentes devem instruir os filhos nos caminhos do Senhor, orientá-los, aconselhá-los e discipliná-los de acordo com os ensinos da Bíblia. Devem trazê-los consigo aos cultos na igreja, inscrevê-los na Escola Dominical e incluí-los no culto doméstico ou outras actividades espirituais no lar, mas deixando-os sempre livres para no devido tempo tomarem conscientemente uma decisão pessoal quanto ao seu relacionamento ou não relacionamento com Deus.

B) Ao nível do Estado
Cremos que devem ser evitados dois extremos igualmente nocivos:

O ateísmo prático: em que as leis são feitas sem qualquer orientação transcendente, sem qualquer referência ao Criador e Legislador do universo. Na verdade, com que direito um homem ou um grupo de homens, mesmo maioritário, impõe aos outros os seus princípios éticos e sociais?

O confessionalismo religioso: quando pretende impor a todos os cidadãos a mesma religião e prática religiosa. Embora as leis sociais tenham uma orientação espiritual (uma inspiração bíblica), os cidadãos devem ser sempre livres para cultuarem ou não cultuarem a Deus, segundo os ditames da sua consciência, sem qualquer imposição estatal. Assim, as igrejas devem ser livres de qualquer tutela ou apoio estatal, e o Estado não deve obediência a nenhuma igreja. Cada qual na sua esfera é livre e soberano.


Pastor Celestino Torres de Oliveira

SÍNTESE HISTÓRICA DA IGREJA

No rio Tejo, próximo à Torre de Belém, foram na manhã do dia 20 de Agosto de 1922 baptizados, pelo rev. António Maurício, os primeiros vinte membros que formaram a 1ª Igreja Baptista de Lisboa, aos quais se juntaram por carta demissória três irmãos vindos de Igrejas Baptistas fóra da capital. Nesse mesmo dia, à tarde, foi organizada com 23 membros, a 1ª Igreja Baptista de Lisboa e à noite, num culto solene foi consagrado ao pastorado da 1ª Igreja o rev. Paulo Irwin Torres. A sede da Primeira Igreja Baptista de Lisboa ficou sendo na rua Francisco Sanches, 55-r/c., tendo um ponto de prégação na rua da Fábrica da Pólvora, em Alcântara.
Dado o progresso que estava a ter o Evangelho em Alcântara buscou-se um salão maior, e o Senhor conduziu o pastor Torres até à rua dos Lusíadas, onde alí abriu uma missão que a 1 de Julho de 1923 se organizou em igreja. A qual ainda hoje permanece na mesma rua, embora não pertencendo já à denominação Baptista.
Em 1925, a nossa igreja concedeu cartas demissórias aos irmãos residentes em Morelena e alí também a missão se organizou em igreja, mantendo no entanto como seu pastor Paulo Torres da 1ª Igreja.
Em 1924 foi alugado um novo salão para a 1ª Igreja na rua Almirante Barroso e também aí, pela graça de Deus, o trabalho cresceu imenso, pelo que em 1926, sentindo a igreja a necessidade premente de possuir um templo próprio em Lisboa, foi eleita uma comissão “Pró-construção do templo”. Em busca de apoios financeiros para tão grande empreendimento, o pastor Torres deslocou-se ao Brasil onde durante cerca de seis meses prégou em vários locais e recolheu o maior apoio dos nossos irmãos brasileiros para a construção do novo templo. No Semeador Baptista de 15 de Abril de 1928, escrevia o missionário A. Maurício: “Não podemos imaginar quanto o Ir. Torres tem feito em prol do Evangelho em Portugal, viajando noite e dia por terras brasileiras”.
Logo que regressou a Portugal, o pastor Torres realizou uma campanha de oração em prol da abertura de um novo trabalho em Lisboa. Como resposta do Senhor à oração do Seu povo deparou-se um bom salão no populoso Bairro Novo à Lapa, onde a 15 de Julho de 1928 era inaugurada uma nova missão da 1ª Igreja Baptista de Lisboa. Também esta missão no ano seguinte se organizou em igreja, elegendo para seu pastor o Ir. Raúl Pinto de Carvalho. Assim se formou a 2ª Igreja Baptista de Lisboa.
Finalmente em 15 de Maio de 1931 foi feita a escritura da compra do terreno para o tão almejado templo, e em Outubro do ano seguinte iniciaram-se as obras de construção.
O templo da 1ª Igreja Baptista de Lisboa foi erguido num local em que só havia terras, e a 30 de Abril de 1933 era inaugurado com grande solenidade.
Pouco tempo depois da sua construção e inauguração, a Câmara Municipal construiu, a menos de 50 metros, aquele que é ainda um dos mais belos mercados da cidade, e a pouco mais de 100 metros de distância, a mais linda alameda de Lisboa, a Alameda de D. Afonso Henriques. Assim, em pouco mais de 15 anos, a igreja viu-se rodeada duma população de milhares de habitantes, ficando no centro de um dos mais populosos bairros da cidade.
Foi a partir deste local que irradiou o Evangelho até Castelo Branco, Rocio de Abrantes, Ortiga, Penamacôr, Tremês, Sassoeiros, Algueirão, Cacém, Loures, Sete Casas, Setúbal, Carnaxide e outros lugares mais. Já sob o pastorado de Celestino Oliveira, a 1ª Igreja abriu ainda um novo ponto de prégação em Lisboa, na rua de S. Lázaro.
No presente continuamos grandemente empenhados na área missionária apoiando de variados modos inúmeros movimentos e trabalhos Evangélicos.
Procuramos ainda manter com fidelidade não só a fé, mas também a ordem nos cultos, que nos legaram os nossos antepassados.
Não é, porém, por mera tradição, mas por profundas convicções bíblicas que somos baptistas.

Pastor Celestino Torres de Oliveira