segunda-feira, 26 de outubro de 2009

BREVE RESUMO HISTÓRICO DAS ORIGENS


A palavra “Baptista” usada para designar uma denominação Cristã é de origem relativamente moderna. No entanto Zwínglio, o Reformador suíço, usava já este termo para apelidar aqueles que se opunham ao baptismo infantil e defendiam que só os crentes deviam ser baptizados. Os anti-pedobaptistas de Inglaterra só adoptaram o termo “Baptista” como distintivo da sua denominação no século XVII.
Ainda que o seu nome seja novo, o tipo de vida cristã e a organização eclesiástica que o nome “Baptista” designa hoje é tão antigo quanto o Cristianismo mesmo. Que as igrejas Baptistas estão em tudo de conformidade com a norma apostólica é geralmente admitido pelos estudantes imparciais do Novo Testamento. Há praticamente unanimidade de opinião entre os eruditos das diferentes denominações históricas no tocante à conformidade dos Baptistas com a organização e ordenanças das Igrejas do Novo Testamento. Contudo, as opiniões divergem sobre se os preceitos e exemplos do Novo Testamento são exigidos aos Cristãos em todas as gerações.
Desde os tempos apostólicos foram inúmeros os erros que invadiram as Igrejas Cristãs… Em nenhum outro ponto, porém, foram as heresias mais persistentes do que em relação à doutrina do baptismo. Desde os tempos mais recuados sempre houve entre os Cristãos quem se opusesse tenazmente ao baptismo infantil, insistindo no baptismo mediante pública profissão de fé e por “imersão”, como a própria palavra grega ensina. Desde o segundo século que encontramos inúmeros focos de resistência contra as crescentes inovações que iam sendo introduzidas na Igreja oficial. Um dos grupos que maior resistência ofereceu foi denominado “Anabaptista” (embora este termo englobasse os grupos mais díspares, alguns deles também hereges em relação a outras doutrinas bíblicas).
No século XVI os “Anabaptistas” mais sérios e consistentes na doutrina tinham muito de comum com os Baptistas de hoje.
Devido às circunstâncias, a primeira Igreja Baptista inglesa, e no mundo, foi organizada, não na Inglaterra, mas na Holanda. John Smyth era homem fervoroso e para escapar a uma perseguição religiosa refugiou-se na Holanda. Aí, entre a população de língua inglesa ele se sustentou como médico. Ao estudar o Novo Testamento, Smyth chegou à conclusão de que o baptismo infantil era contrário aos ensinos de Cristo e que uma Igreja, para ser verdadeiramente bíblica, devia ser uma igreja local autónoma, totalmente separada do Estado, e compor-se exclusivamente de crentes regenerados, baptizados mediante profissão de fé. Assim, em 1609, foi organizada, em Amesterdão, a 1ª Igreja Baptista no mundo.
Mais tarde, sob a liderança de John Latrop, pastor de uma Igreja Congregacional em Londres, um grupo de membros dessa igreja adoptou também ideias anti-pedobaptistas, e em 1633 organizou na cidade londrina uma outra Igreja Baptista. Esta seria a 1ª Igreja Baptista Particular, assim chamada por defender a linha teológica denominada Calvinista. Os Baptistas Particulares (havia igualmente Baptistas Arminianos, denominados “Gerais”) organizaram a sua primeira Associação de Igrejas em 1653, e tiveram em Londres a sua Assembleia Geral em 1689, donde saiu a Confissão de Fé Baptista londrina, que ainda hoje é adoptada por muitas igrejas Baptistas no mundo.
(Adaptação de um texto de H.H.Muirhead)

Pastor Celestino Torres de Oliveira

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Hino com que o Coro da 1ª Igreja Baptista de Lisboa iniciou o Culto da Reforma

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

REFORMA PROTESTANTE

Querendo Deus, no próximo dia 25 de Outubro levaremos a efeito um Culto de evocação da Reforma Protestante; este ano meditaremos no tema da Graça.
O Culto terá lugar às 16 horas.

AUTENTICIDADE


Os Cristãos genuínos são aqueles que nasceram de novo, nasceram de Deus, são uma nova criação em Cristo, sendo guiados no seu viver diário pelo Espírito Santo que neles habita e neles opera.
As leis que nos regem e às quais estamos subordinados são as leis de Cristo, os Seus ensinos, orientações e mandamentos revelados no Novo Testamento. A sociedade que nos rodeia tem também leis elaboradas pelos seus governantes, às quais devemos obediência sempre que não estejam em oposição aos ensinos e mandamentos do Senhor Jesus Cristo, que é para os crentes o único Legislador. Por isso, em caso de litígio ou de oposição, a nossa obediência absoluta é a Cristo e à Sua Palavra.
O cristão não pode escusar-se de tomar atitudes e práticas condenadas no Novo Testamento com a afirmação de ser assim que todos procedem no mundo. Aqueles que estão à nossa volta procedem assim porque são do mundo e o mundo jaz no maligno. Nós, porém, estamos no mundo, mas não somos do mundo, pelo que temos de marcar a diferença, e revelar no nosso viver diário, nos mais ínfimos pormenores, como Cristo transformou a nossa mente e o nosso coração, e agora nos guia pelo Seu Espírito em toda a verdade e santidade.

Pastor Celestino Torres de Oliveira

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

A SUCESSÃO APOSTÓLICA


O princípio fundamental Baptista é uma igreja local organizada e dirigida de acordo com os moldes apostólicos, ou seja, uma igreja composta de membros regenerados. Daí a necessidade duma profissão de fé coerente e sincera antes do baptismo que incluirá o crente na membrasia da igreja. É óbvio que tudo depende da autenticidade duma tal profissão de fé, pelo que pode acontecer o baptismo de pessoas que não experimentaram de facto a experiência da regeneração, o que torna o seu testemunho público uma fraude e engano.
Sabemos não existir neste mundo uma igreja perfeita, o que não impede de continuarmos a pugnar por essa perfeição e a exigir o testemunho duma real transformação na vida, no coração e na mente do candidato ao baptismo.
As igrejas Baptistas procuram seguir fielmente a Cristo, em obediência aos Seus ensinos revelados em toda a Bíblia, e em particular no Novo Testamento.
Cremos que a verdadeira sucessão apostólica está na fidelidade aos ensinos apostólicos. Os apóstolos não tiveram, nem têm sucessores, pelo que não podemos encontrar ao longo dos séculos outra sucessão que não seja na fidelidade à doutrina de Cristo que eles nos transmitiram pela inspiração do Espírito Santo.
Assim, se quisermos hoje buscar uma tal sucessão teremos de confrontar todas as doutrinas e práticas das diferentes igrejas à luz desta regra áurea: onde houver maior conformidade com a doutrina dos apóstolos aí encontraremos a genuína Igreja Cristã. Isto implica também a necessidade de cada igreja local examinar continuamente os seus ensinos e práticas à luz do Novo Testamento.

Pastor Celestino Torres de Oliveira

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

PIOR DO QUE A GRIPE


Todas as precauções e cuidados que as pessoas estão a tomar individual e colectivamente contra os perigos duma eventual “gripe” faz-me pensar em todo o imenso descuido e insensibilidade das mesmas pessoas para com outros perigos igualmente, ou até muito mais malignos do que os da “gripe”.
Refiro-me aos perigos espirituais…
De há alguns anos para cá, o meio Evangélico está a ser totalmente minado por um ou vários “vírus” de diversas procedências, por vezes difíceis de detectar e de diagnosticar. Todos eles levam à decadência e enfermidade espiritual, à conformação com o mundo, com a consequente perda daquilo que constitui a essência da vivência cristã, a santificação. Já não há separação entre o mundo e a igreja, entre o crente e o não crente, entre aquilo que é de Deus e aquilo que não é de Deus. As igrejas estão a perder a sua identidade doutrinária, desviando-se da fidelidade ao “Evangelho” e aos ensinos de Cristo revelados no Novo Testamento.
Caminha-se também na área espiritual para uma globalização da “fé”. Esquecendo que tal globalização desviará as igrejas ainda fiéis a Cristo do verdadeiro Evangelho, levando-as à apostasia e ao erro. No fim estaremos todos unidos na mentira, servindo não a Deus, mas ao Anticristo.
De facto, todos estes movimentos de pseudo-unificação espiritual são como que arautos e preparadores do caminho para o “Anticristo”, tal como a Escritura o prevê e anuncia.
O que nos admira é que os crentes que ainda são fiéis e conhecem o Evangelho não tomem as mesmas precauções ou maiores ainda contra estes “vírus” espirituais, como o fazem contra a “gripe”.

Pastor Celestino Torres de Oliveira

sábado, 3 de outubro de 2009

DISCERNIR OS ESPÍRITOS


Ao longo do seu ministério os apóstolos foram instrumentos de Deus para operarem um número considerável de milagres cujo alvo era autenticar a mensagem que proclamavam, o Evangelho da graça de Deus revelada em Cristo e por Cristo.
Os milagres nunca foram um fim em si mesmos. Os apóstolos, tal como Jesus, nunca procuraram atrair fosse quem fosse anunciando que iriam realizar milagres ou, pior ainda, determinando o local, a data e a hora para a realização de milagres…
O propósito dos apóstolos era anunciar a Jesus Cristo que morrera e ressuscitara a fim de reconciliar os pecadores com Deus e dar-lhes a vida eterna por meio dessa morte e vitória sobre a morte. O centro da mensagem era a cruz de Cristo e a Sua ressurreição, e o alvo era levar os pecadores ao arrependimento e à fé em Jesus Cristo para serem salvos. E, ao proclamarem uma tal mensagem, na obediência à ordem de Cristo, Deus confirmava a autenticidade desse Evangelho com sinais e maravilhas operadas através deles pelo Espírito Santo.
Este era o Espírito que orientava e dirigia os apóstolos. Um espírito muito diferente do daqueles que usam hoje o “evangelho” para tentarem “justificar” o anúncio de “milagres” para maior engrandecimento e prosperidade das suas pessoas, movimentos e igrejas, e não para glória de Deus e salvação dos pecadores.
É bom que peçamos a Deus que nos dê a todos, nestes tempos conturbados e confusos, o dom para sabermos discernir os espíritos, a fim de não nos deixarmos confundir por Satanás (I João 4:1).

Pastor Celestino Torres de Oliveira