sexta-feira, 14 de outubro de 2011

SOMOS PERIGOSOS

A educação moderna baseia-se exclusivamente na sabedoria humana. O espírito e a razão do homem são os únicos critérios que definem a “verdade” e o “bem”. Assim, vemos o homem a procurar, fóra de qualquer relação com Deus e com a Sua Palavra, dar respostas a todas as interrogações que lhe são colocadas no dia a dia e pela vida em sentido geral.

A filosofia actualmente dominante nas escolas inspira-se em ideias semelhantes às de Dewey (1859-1952), o qual afirmava: “Cremos que os verdadeiros valores e ideais devem deduzir-se do movimento das coisas e da experiência. Assim, não aceitamos que possam ser deduzidos duma autoridade sobrenatural, ou duma fonte transcendente (referia-se à Revelação de Deus na Bíblia)”.

Isto significa que a experiência humana seria a chave de todo o conhecimento, o que excluiria qualquer norma absoluta mostrando o que é verdadeiro e o que é falso, o que é bom e o que é mau… se tudo depende da nossa experiência, aquilo que hoje nos parece verdadeiro amanhã poderá parecer-nos falso…

Não admira, portanto, que o homem moderno considere como terrível, algo vergonhoso e culpabilizante o facto de alguém possuir convicções, certezas. Isso parece ser incompatível com a tolerância, único dogma indiscutível.

Aqueles que consideram perigosoalguém ter convicções já esqueceram por certo o que estudaram em matemática, ou já há muito que não viajam. Que diriam eles se, ao chegarem à gare do comboio, a CP lhes declarasse: “Temos horror às certezas! Todos aqueles que dizem possuir certezas são pessoas perigosas, horrendos fundamentalistas! Assim, por espírito de tolerância, decidimos introduzir a maior flexibilidade nos nossos horários!”

E se não houvesse igualmente certezas quanto à nossa conta bancária?

Não se aceita nestas áreas incertezas, mas querem impedir-nos de termos convicções naquilo que é fundamental, e quando está em jogo a vida eterna!

Pastor Celestino Torres de Oliveira

CONTRARIANDO UMA LEI


Ao reflectir sobre uma lei natural e moral bem evidente quer na natureza, quer na vivência social humana: se colocarmos um fruto podre no meio de frutos sãos, ao fim de algum tempo não é o fruto podre que fica são, mas os sãos é que apodrecem…

Ao meditar nesta lei natural, lembrei-me da nossa missão de discípulos de Jesus Cristo no meio de um mundo pecaminoso. Como evitar que sejamos contaminados e possamos, pelo contrário, ser instrumentos de purificação e de salvação para aqueles que nos rodeiam e estão apodrecidos no seu pecado? Como evitar que a lei natural se faça sentir também na nossa vivência de cristãos que estão no mundo, mas não são do mundo? Como impedir o contágio do pecado que tão de perto nos rodeia e que sentimos na nossa própria carne?...

Então lembrei-me de que o Senhor nos revelou na Sua Palavra o segredo para a não contaminação: sermos revestidos de Cristo, da Sua Justiça e Santidade!

Só esse revestimento nos poderá guardar da contaminação do mundo, pois só estando em Cristo e Cristo em nós é que poderemos ser testemunhas fiéis e eficazes, tornando-nos, assim, instrumentos que Deus usa para atrair outros a Cristo e n’Ele também os justificar e santificar por meio da fé.

Por isso, importa que antes de exercermos a nossa missão no mundo como Jesus quer, nos examinemos a nós próprios a fim de vermos se estamos ou não suficientemente equipados no poder de Cristo para que o nosso testemunho seja eficaz, e não venhamos nós a ser contaminados, acabando por nos conformarmos com este mundo quer na nossa vivência, quer na nossa maneira de pensar e de sentir…

Pastor Celestino Torres de Oliveira

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

LOUVOR OU POLUIÇÃO SONORA?


Um certo pastor brasileiro, referindo-se à tendência moderna de procurar louvar a Deus no meio da maior poluição sonora, relata a triste experiência por que passou um dia:
“Há algum tempo fui convidado para uma série de conferências evangelísticas em certa igreja. Para abrilhantar a programação do louvor, a igreja convidou um desses conjuntos profissionais, com um camião de instrumentos. Eles ligaram os seus instrumentos a toda a altura, muito tempo antes do culto. Um vizinho da igreja, sentindo-se prejudicado, trouxe a sua aparelhagem de som para a frente da casa e ligou-a também a todo o volume. Naquele dia, quando cheguei para a mensagem, presenciei, à entrada do templo, uma verdadeira guerra de som. O barulho da igreja era insuportável e a vizinhança estava toda agitada lá fora. Confesso que tive vontade de voltar para casa e não prégar…”
Nós interrogamo-nos como é possível uma igreja que ostenta ainda o título de Evangélica proceder de tal modo? Que conceito temos nós do louvor que Deus requer e do testemunho que temos de dar àqueles que nos rodeiam? Como é possível querer ainda cultuar a Deus num ambiente como aquele acima descrito?
Há alguns anos atrás, ainda segundo o mesmo pastor, um jornal brasileiro publicava a seguinte manchete: “Bailes funk e cultos evangélicos: campeões do barulho na cidade”.
Se estes não são sinais evidentes da apostasia e decadência espiritual inerentes aos últimos tempos teremos de rever toda a interpretação escatológica do Novo Testamento! Obviamente que quando em casos como estes as autoridades intervêm encerrando os lugares de “culto” não há perseguição religiosa, pois trata-se duma medida altamente terapêutica!
Quanto a nós, damos graças a Deus pela herança que, nesta igreja, os nossos antepassados nos deixaram: um legado de harmonia, beleza, suavidade e solenidade no louvor devido a Deus.

Pastor Celestino Torres de Oliveira

“BENDITO ÉS TU, Ó SENHOR; ENSINA-ME OS TEUS ESTATUTOS” (Sal. 119:12)


Ensina-me! Eis o segredo que deve impulsionar cada instante da nossa vida e ao longo de toda a nossa peregrinação terrena. Só o Senhor pode ensinar-nos de modo a que vivamos em conformidade com a Sua vontade, mostrando-nos qual o caminho que devemos seguir, quais as opções a tomar em cada circunstância e em cada momento.
Eu não sei antecipadamente qual a vontade de Deus para muitas das situações em que me encontro ao longo de cada dia. Posso conhecer os ensinos da Bíblia, os Dez Mandamentos e o Evangelho de Cristo, mas como aplicar esse conhecimento em certas circunstâncias da vida? É aqui que se torna indispensável a instrução do Espírito do Senhor guiando os nossos passos, inclinando o nosso coração e a nossa mente de modo a agirmos no concreto de cada situação em conformidade com a vontade de Deus. O crente tem de ser sempre um aluno atento e diligente na escola do Espírito Santo.
O salmista louva e bendiz o Altíssimo antes de Lhe pedir humildemente que o instrua nos Seus Estatutos! O seu louvor revela um coração livre e cheio de alegria, sabendo que o Senhor já respondeu à sua prece, pois se não fosse assim nem sequer teria o desejo de que Ele o instruísse.
Mas se reconhecemos a necessidade de sermos ensinados por Deus a fim de andarmos nos Seus caminhos, então não poderemos fazer da nossa obediência algo de que nos gloriemos, ou algo que possamos fazer valer em nosso favor diante do Altíssimo.
O reconhecimento humilde desta verdade deve levar-nos antes a louvar a Deus porque Ele Se dignou instruir-nos e guiar-nos em cada instante da nossa vida, o que revela o Seu grande amor e infinita paciência para com cada um de nós.

Pastor Celestino Torres de Oliveira

A PALAVRA DO MAESTRO


O maestro brasileiro Percival Módolo, numa palestra proferida aquando de um encontro de líderes Evangélicos realizado há poucos anos atrás, disse a dado momento:
“Uma forma litúrgica estranha, muito comum nas igrejas hoje em dia, é o chamado Momento de Louvor. Um grupo de pessoas vai à frente, jovens que sabem tocar alguns instrumentos e cantar, e por 40 minutos apresentam uma série de músicas. E para piorar, o líder do grupo, sem nenhuma formação teológica, começa a doutrinar a Igreja, falando sempre entre 4 a 5 minutos antes ou depois de cada música. Ele explica como é que age o Espírito Santo, como é o plano de Deus, como a gente deve se comportar e como a Igreja deve fazer. Esse doutrinamento com música está sendo absorvido indelevelmente, independente do que o pastor disser mais tarde… A Igreja está perdendo a sua identidade. Tanto faz para o jovem ir à sua Igreja ou ir à comunidade “não sei o quê”. Porque em ambas ele canta a mesma música repleta de mentiras teológicas, sem aprofundamento bíblico. Os seus cânticos são sempre vazios e falam de alegria e euforia. Há pelo menos um deles que fale: “Se temos de perder os filhos, bens, mulher, embora a vida vá, por nós Jesus está e dar-nos-á Seu Reino”, como Lutero fazia?... A nossa igreja deixou de cantar essas coisas. Não admira o esvaziamento doutrinário da actualidade. Por isso, começamos dizendo que não achámos que o problema é a música: achamos que a música é o sintoma do problema. O problema é muito maior que a música. É teológico e doutrinário. Tem se reflectido na música, mas é muito mais sério…”
Transcrevemos estas palavras do conceituado maestro evangélico brasileiro, para nossa reflexão e para que, evitando as derrapagens doutrinárias provenientes da ingenuidade ou leviandade de certas lideranças eclesiásticas, não caiamos no mesmo erro litúrgico nos nossos cultos.

Pastor Celestino Torres de Oliveira