quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

CONFORMAÇÃO OU REVOLUÇÃO?


"Tudo mudou na nossa sociedade, por isso a Igreja tem de mudar também; não pode ficar anquilosada na defesa de princípios completamente ultrapassados... a Igreja tem de saber adaptar-se aos tempos modernos, caso contrário em breve não terá fiéis..."
Quem não ouviu já frases semelhantes a estas? No entanto, tais afirmações revelam uma boa dose de ignorância quanto ao conceito de Igreja e do seu papel na sociedade.
O Senhor Jesus deixou a Sua Igreja neste mundo com a missão específica de ser instrumento do Espírito Santo na conversão dos pecadores, tornando-os novas criaturas em Cristo. Esta é a função da Igreja em todas as gerações. Ela é depositária de um tesouro inestimável: a Palavra e os ensinos de Jesus Cristo. Ela defende princípios que são imutáveis ao longo dos séculos. É certo que alguns desses princípios podem ser aplicados de diferentes formas consoante os tempos, mas em si mesmos permanecem inalteráveis, na medida em que a Verdade e a Vontade de Deus para os homens não mudam com o decorrer da história humana.
Em relação às coisas de Deus os nossos contemporâneos raciocinam quase sempre às avessas, pois não é a igreja mas sim os homens que têm de mudar. Não é a Igreja que deve adaptar-se ou conformar-se com o nosso século, é este que tem de ser transformado e revolucionado pelo testemunho e pela vivência dos cristãos. E não é da nossa conta se esta transformação alcançará a muitos ou a poucos. A nossa responsabilidade é sermos fiéis à Palavra e aos ensinos de Jesus Cristo... o arrependimento e conversão dos pecadores é obra de Deus, nós somos apenas instrumentos!
Não esqueçamos ainda que quando o Evangelho começou a espalhar-se pelo mundo, as sociedades desse tempo tinham princípios e filosofias de vida que se-Lhe opunham radicalmente... e foram as sociedades que mudaram então...
Pastor Celestino Torres de Oliveira

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

O CÍRCULO VICIOSO


Caíu-se numa espécie de círculo vicioso de decadência e degradação espiritual, mesmo ao nível das igrejas que ainda podemos considerar Evangélicas e Baptistas.
Em que consiste esse círculo vicioso?
As igrejas vão-se conformando com o presente século na sua decadência cultural e espiritual a fim de tentarem atrair ou preservar os jovens no seu seio... Como consequência, os jovens crentes vivem e comportam-se como os descrentes porque o que ouvem, o que lhes é ensinado, e o que vêem nas suas igrejas não os transforma, não muda nem a sua mente, nem o seu coração.
A conformação dos crentes com o mundo só é possível quando se abandona a proclamação fiel do Evangelho e se menosprezam ou adulteram os ensinos de Cristo e Seus apóstolos, ou seja, quando o Novo Testamento deixa de ser a única regra orientadora da fé e da vivência para os membros das igrejas.
A intensidade deste drama aumenta pelo facto desta postura leviana e sem firmeza acabar por afectar drasticamente as igrejas que ainda querem continuar a ser fiéis a Cristo e ao Evangelho, marcando a diferença em relação ao mundo.
Como podem os jovens destas igrejas aceitar as exortações à não conformação com o mundo que ouvem do púlpito (e não só...), quando ao conviverem com outros jovens crentes chegam à conclusão de que afinal podem viver a "sua fé" sem abdicarem dos prazeres e divertimentos carnais que o mundo lhes oferece... Pelo menos é o que vêem à sua volta...

Pastor Celestino Torres de Oliveira

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

IMITAR A CRISTO?


Vivemos tempos de grande confusão e apostasia, o povo de Deus perdeu o sentido da santificação, o que é trágico, pois sem a santificação ninguém verá ao Senhor (Hb. 12:14).
Os crentes hoje, incluindo na generalidade a própria liderança espiritual das igrejas, estão conformados com o presente século, amam o mundo e os seus divertimentos carnais, vivendo sem a devida consagração ao Senhor, sem uma entrega total a Cristo e ao Seu serviço. Embora o afirmem por palavras, as suas atitudes e opções práticas no viver quotidiano desmentem as suas palavras...
Vemo-los nos estádios de futebol, nos cinemas e espectáculos mundanos totalmente identificados com os ímpios e incrédulos deste mundo... Depois vemo-los nas igrejas prégando o Evangelho... Não podemos deixar de ficar perplexos!...
Afinal em que consiste para eles a santificação? O que significa não amar o mundo, nem aquilo que há no mundo, segundo a exortação apostólica (I João 2:15)? Será isto imitar a Cristo?
É certo que Jesus comia com publicanos e pecadores, mas cujas vidas haviam sido radicalmente transformadas pelo conhecimento do Salvador. Não vemos que Jesus se identificasse com as práticas e a vivência dos pecadores a fim de atraí-los a Si...
Só quando no viver diário marcamos a diferença entre ser ou não ser de Cristo é que podemos funcionar como o sal da terra e a luz do mundo. Caso contrário, nem o sal terá sabor, nem haverá luz que ilumine os homens e os liberte das trevas em que se encontram.

Pastor Celestino Torres de Oliveira

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

POLUIÇÃO LITÚRGICA


“Porque Deus não é Deus de confusão, senão de paz, como em todas as igrejas dos santos… faça-se tudo decentemente e com ordem.” (I Cor. 14:33,40)
Vivemos uma época em que predominam o ruído ou poluição sonora, a agitação febril e nervosa, a turbulência própria das grandes metrópoles. As casas de oração deveriam ser oásis de paz e tranquilidade no meio da confusão generalizada em que se vive. Lugares onde haja ordem, reverência e momentos de silêncio propícios à reflexão e à oração individual.
De acordo com a exortação bíblica, a paz, a ordem e a decência (ou dignidade) são características indispensáveis num genuíno culto Cristão. Infelizmente, o gosto pelo espectáculo está a minar a simplicidade espiritual dos nossos cultos. Alguns crentes estão a conformar-se de tal modo com o ritmo alucinante deste século e gostam tanto da agitação, da poluição sonora e da confusão reinantes na sociedade, que desejam trazer toda essa turbulência e confusão para o culto de adoração ao Senhor, descaracterizando-o assim do seu aspecto essencial, requerido pela Palavra de Deus. Notemos que a palavra paz no texto bíblico citado não está em oposição a guerra ou conflito, mas sim em oposição a confusão ou desordem.
Normalmente os crentes que são verdadeiramente adultos espirituais desejam louvar e adorar a Deus num culto onde haja simplicidade, ordem, paz, harmonia e solenidade. Ou seja, tudo o que torna possível a elevação espiritual, a comunhão com Deus e o escutar atento e reflectido da Palavra do Senhor.
Um tal culto pode não atrair as multidões ávidas de emoções carnais, mas atrai por certo aqueles que, desiludidos do mundo, andam em busca do Deus verdadeiro.

Pastor Celestino Torres de Oliveira